Existem coisas e coisas. Coisas para ler, coisas para tocar e coisas para comer. E cada uma traz consigo sua peculiaridade, seu gosto. Uma pizza fria sempre é melhor de madrugada. E assim talvez seja o que escrevemos: toda filosofia parece conspirar ao favor do ser insone que escreve após os soturnos badalares da meia-noite. E todo sentido é mais claro e forte para aquele que lê nossas linhas tortas na então revelada hora mágica: duas da madrugada.

sábado, 14 de novembro de 2009

Coisas chatas para se ler: da distribuição normal

Não é só em amor que eu penso. Deixo um pouco de lado as pieguices para voltar por um breve momento à racionalidade. Venho já há certo tempo querendo escrever essas idéias que, de tanto pensar, já me são velhas conhecidas, que raramente são ditas e nunca tinham sido escritas.

Penso eu sobre explicações para as coisas (falsa ou não, sempre existe explicação). Sempre pensei sobre a distribuição Gaussiana. Por que raios que as coisas têm uma distribuição assim? E, quando não têm, basta aplicar algum artifício matemático, um logaritmo que lá aparece ela de novo, a distribuição normal. É o acaso, são as probabilidades, explica a matemática. Mas a probabilidade não existe de verdade, é só um artifício inventado pra conseguir trabalhar com o desconhecido. Se todos os fatores, as forças envolvidas no lançamento de uma moeda fossem conhecidas, não haveria probabilidade. Haveria certeza do lado da moeda a cair virado pra cima. Mas não se sabem todos os fatores, têm-se incerteza, inventa-se probabilidade.

Eu penso que existe uma explicação. Talvez até existam várias explicações. Talvez seja óbvio. Talvez só eu que não tenha pensado nisso antes. Talvez o Gauss tenha explicado isso quando descreveu a distribuição. Talvez nem tenha sido o Gauss que descreveu pela primeira vez, mas ele tenha só acabado com a fama, nunca se sabe. Talvez não.

Propuseram-me a “teoria da identidade”. Disseram que a distribuição normal poderia ser entendida sob determinado aspecto através de intervalos de identidade. Uma pedra só seria considerada uma pedra se tivesse características intermediárias de pedra entre extremos de “não-pedra”. Então, conforme as “pedras” se distanciassem do valor central que as define, passariam a ser menos reconhecíveis, já que se confundiriam com “não-pedras” e seriam menos freqüentemente “pedras”, gerando uma distribuição normal. Esse pensamento faz sentido até certo ponto e acredito que deva ser levado em conta, uma vez que se refere ao método de aferição. Mas ele não se baseia de maneira primordial nos objetos e fatores analisados em si, e sim nas definições utilizadas para compreendê-los, e não leva em conta todos os casos em que a distribuição normal se aplica, como nas amostras de uma população, em que utilizando valores obtidos com várias amostras obtém-se um valor próximo à média real dessa população. Nitidamente, nesse caso, não se trata da identidade das “pedras”.

Propus uma linha de raciocínio à qual denominei de “teoria da funcionalidade”, que também é incompleta, mas faz bastante sentido para algumas coisas. Segundo o que pensei, existiria uma faixa de funcionalidade, com limites, tanto superior quanto inferior, nos quais os processos orgânicos melhor funcionariam. E por isso que, por exemplo, a altura ou os níveis de glicemia ou de várias outras coisas possuem distribuição normal. Níveis mais próximos do ponto ideal seriam mais comuns, enquanto pontos mais distantes dessa média seriam menos funcionais e, portanto, mais raros. Por um breve instante, achei que tivesse chegado à explicação final. Mas o que tem a ver as amostras de uma população gerarem médias que, quando agrupadas, chegam a um valor próximo à média real da população inteira? O fato é que não existem os conceitos de identidade ou funcionalidade nas amostras da população, mas sim na população em si. Existe um acontecimento racional em que, se a média real da população inteira for um número x, e isso é uma média, obviamente engloba vários valores agrupando-os em um valor representativo, que é a média. Então, as amostras, sendo selecionadas dessa população, exibirão os valores que originaram a média, portanto, os valores que mais contribuíram para gerar a média serão mais comuns, resultando em distribuição normal. Agora, o que gerou essa distribuição na população inteira... É claro, agora se aplica a idéia da funcionalidade. Touchet!

Mas por que algumas coisas não têm distribuição normal? E aquelas coisas que “quanto mais melhor”? Não consigo pensar em nenhum exemplo bom nesse momento, mas certamente existem essas coisas. Enfim, cansei de pensar. Deixo essa discussão pra outra hora. Aproveito o momento pra postar já que, agora, tudo faz sentido, e deixo pra pensar amanhã nas incoerências que eu disse hoje. Vou dormir.

sábado, 17 de outubro de 2009

ri-Ma

tem dias em que tu ri
de quase tudo que eu digo
mas tem dias que tu não ri
por mais que eu tente, eu não consigo
daí não sei se o problema é comigo
ou se é algum castigo
só sei que é um perigo
porque eu não quero te perder

E amanhã é dia do médico!

Parabéns pra gente, que se doa à profissão como um kamikaze se doa a seu país em tempos de guerra.

Hematopoesia

Vem do grego hemato=sangue, poesia= poesia. Trata-se do ato de produzir poesias com seu sangue arraigado, assim como uma medula produz hemácias e outras coisas e tal.

domingo, 11 de outubro de 2009

Das Coisas da Vida

“My feet is my only carriage
And so I've got to push on through...”
Bob Marley


Não me arrependo de nada
Não guardo ódio, rancor ou mágoa
Meu coração é eterno hangar
Onde sentimentos pousam,
mas também ganham o ar.

Todo amor resguarda seu bom lado,
Na pior das hipóteses, traz aprendizado.
Na melhor, felicidade.
Pode até causar alguma dor,
Mas vale a pena, simplesmente por ser amor.

E eu, que era tão sensível
Pensei que fosse morrer
Sensibilidade não significa fraqueza
Pois dentro de mim existe uma fortaleza
Que me impele fortemente a viver.

Pois amor é o que te completa
Mas não só ele te faz feliz.
Jamais estarei sozinha
Enquanto estiver comigo mesma.
Por isso, cuidarei de meu próprio nariz.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Das tuas pupilas

Para Rafael Caetano Silva da Rocha
É injusto amar e não ser capaz de pôr em palavras.
Por muito tempo tentei transformar meu amor num verso bonito,
Ou em um texto que mostrasse
O quanto meu amor é infinito.

Mas agora desisti.
Poesia deve ser expressão de tristeza e sentimentos tolos.
Mas mesmo assim decidi que, dessa vez,
Eu queria falar de teus olhos.

Tens um olhar impossível de se traduzir em qualquer palavra do mundo.
Tens os olhos mais lindos que já vi
E os mais profundos em que mergulhei.
Que mesmo escuros, são claros como o Sol.

E encaro teu amor fugidio e intenso através deles.
No teu olhar eu me protejo.
E no teu olhar eu me deitaria
E passaria a eternidade.

Diante do dito, tenho apenas um desejo
Pois teu olhar é muito mais que céu.
Quando eu morrer, quem essas letras ler,
Enterre-me nas pupilas de Rafael.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

II

- Eu fui num outro médico também e...

- Hum, e o que que esse outro médico falou?

- Não falou nada.

- Como assim? O médico era mudo?